sábado, 17 de novembro de 2018




17 de Novembro de 1975
                         o escamoteamento de uma data

17 de Novembro de 1975, a maior manifestação da história dos Açores. Manifestação abrangente a todo a arquipélago açoriano. Dia em que acreditávamos, se ia proclamar a independência dos Açores. Se alcançado esse sonho, hoje, estaríamos a celebrar o XLIII aniversário da Pátria Açoriana. Sonho traído por quem incumbido da proclamação unilateral da nossa maioridade como Povo, recuou quanto ao prometido aos seus pares.
Ainda hoje perguntamos o que sucedeu… pois, ao nosso 17 de Novembro, deve Portugal, o seu 25 do mesmo mês com a intervenção do chamado “Grupo dos Nove” que libertou o rectângulo Luso de uma guerra civil, derrotando os SUV (Soldados Unidos Vencerão) grupo apologista de uma República Popular.
De uma manifestação, reivindicativa de apoio à junta regional, contra o governo de Lisboa e pelo referendo, extravasou mais uma vez o grito de Liberdade, Independência e de intimidação traduzida no slogan “Lisboa escuta… os Açores estão em luta” ouvidos, cinco meses antes. Quer o 6 de Junho   quer o 11 de Novembro de 1975, são projectados e organizados pelo PPDA, não podendo esquecer que, os movimentos independentistas dos quais se destacava a FLA, participavam quer na sua organização quer na sua execução. De referir que no 17 de Novembro, o CDS teve parte importante com forte empenho do seu Secretário Geral da altura que apontava à realização de um referendo. Não excluir de qualquer das duas manifestações, a participação de muitos açorianos de simpatia e filiação partidária socialista. O que se depreendia que “Os Açores em primeiro”.
Como em tudo que movimenta massas, foram diversos os “ses” com que se depararam aos mentores do ”17 de Novembro”. Foram eliminados pela certeza de uns quantos, que a data mereceria referência no futuro.
Hoje queremos afirmar: - o 17 de Novembro de 1975, confirmou a autenticidade do querer do Povo Açoriano manifestado no “6 de Junho”, quanto à libertação do poder centralista e colonizador de Lisboa. Portugal sempre usou e continua a usar os Açores conforme as suas conveniências. Ao 17 de Novembro de 1975,  (aqui referido seis vezes)  nunca será de mais recordá-lo e, afirmar que, poderia ter sido o “corolário” o resultado positivo para a concretização efectiva da divisa que os Açores ostenta no seu Brazão  datada  13 de Fevereiro de 1582 e que reza “«ANTES MORRER LIVRES, QUE EM PAZ SUJEITOS», livrando-nos da ostentação  do símbolo colonialista, aposto na nossa Bndeira.
Da Autonomia Política/Administrativa, advinda desses dois eventos aqui referidos, que contruída de forma subterfugia, ardilosa, não passa de um documento mentiroso como é a própria Constituição que o arquiva.  
Lamentamos que “tantos” e, (são muitos) que vimos na rua, gritar a intenção emancipadora do Povo a que dizem pertencer, se tivessem deixado vender por um “tacho”, por uns subsídios, por uns convites de circunstância numa posição de subserviência, servindo o poder de ocasião instituído. Disseram e dizem-se independentistas. Convenientemente assumem-se autonomistas. Numa época jogam num clube e noutra mudam de camisola. Pobres criaturas… são tantas infelizmente.
 São eles que tendo participado activamente no 17 de Novembro de 1975, tentam escamotear a data e o seu significado. Quem sabe, se um dia a exemplo do “filho pródigo” não regressarão?
Se o 17 de Novembro de 1975, não tivesse encontrado uma série de “pedregulhos” no seu caminho, até à proclamação da Constituição gerada pela então Assembleia Constituinte e, ao consentimento da humilhante autonomia concedida pela mesma, não estaríamos sujeitos:
Ao desaparecimento das nossas companhias de navegação, um banco e uma companhia de seguros de implementação internacional, o desmantelamento de um tecido económico industrial. possuidor de fortes empresas geradoras de trabalho e capital (são vários os exemplos). À proliferação de incompetência e do compadrio, dum tecido político familiar de amigos para amigos, exemplificado no quadro partidário de um país rico em escândalos e corrupção. À volta de um colonialismo assoberbado no “roubo” do que nos pertence, o Mar e suas profundezas, o espaço aéreo, a utilização da nossa situação geoestratégica e por aí adiante. O silenciar da nossa voz e a transmissão da nossa imagem para o mundo (o sequestro da RTPA) Exemplos são tantos, atente-se ao aumento das visitas dos “inspectores do cacimbo” são eles: - Ministros, Secretários de Estado, Directores Gerais etc. etc. Da necessidade de manter uma caterva de generais/almirantes e quejandos, com a acção psico social de presença a exemplo do então sucedido nas colónias, ditas de províncias ultramarinas e, para terminar: a bofetada que nos veio dar “dentro portas” o senhor Professor Marcelo Rebelo de Sousa, Digníssimo Presidente da República Portuguesa no dia 9/10 de Junho p.p. com  a afirmação do “aqui também é Portugal “ ostensivamente demonstrada com a força militar que se fez acompanhar e a  “esconjuração” dos símbolos açorianos (a sua Bandeira e o seu Hino).

                                                                   “Quando um povo se ergue à altura
                                                                     Da sua nobre missão,
                                                                     Põe na Carta d'Alforria
                                                                     A mais nobre aspiração.”

                                                                  (Da primeira letra do Hino Autonomista 1894)

José Ventura
2018-11-15
Por opção o autor rejeita o acordo ortográfico                                             


quarta-feira, 2 de março de 2016

ARRE …QUE É TEIMOSO!!!

Está quase a acontecer! Sim, estamos a cerca de 160 horas (são 11h00 nos Açores do dia 2 de março de 2016) de vêr um professor que nada de construtivo ensinou aos seu discípulos, deixar a cátedra que tão mal utilizou para mal dos seus pecados.
Refiro-me como os leitores já se aperceberam ao senhor professor doutor Aníbal Cavaco Silva ex-primeiro ministro e que, dentro do espaço de tempo acima referido, ex-presidente da república portuguesa.
Podemos considerar o Sr. Silva um recordista nas provas que disputou e, que o leva a partir com um saldo negativo de 13% nas sondagens de popularidade. Não conta a história democrática portuguesa um presidente que fosse tão impopular e, já vão meia-dúzia com ele. “Tarde é o que nunca chega”… diz o povo e, chegou!
Para nós tão chegados ao sentimento “saudade”, temos a certeza que não a sentiremos em relação a esse senhor. Se os portugueses, antecipadamente lhe dão uma percentagem tão ínfima de popularidade. Aos açorianos o que havemos de dizer?
Por vezes penso se Cavaco Silva, não encontrou na sua vida, académica, profissional ou militar, um açoriano que lhe tivesse dado umas “calcinhas”  (um leva fora) lembro-me que quando instruendo na Escola Prática de Artilharia, o alferes comandante do meu pelotão frequentemente “engalinhava” com os açorianos. Procurando as razões de tal comportamento, viemos a descobrir que o mesmo tinha servido como sargento (*) na Guiné numa companhia. onde abundavam os “corajosos” soldados açorianos. Tudo dito.
Segundo consta, Cavaco Silva demonstra ser um homem inseguro, senhor de uma soberba que por vezes o leva a alterações de carácter várias vezes demonstradas em ataques verbais, quem sabe se devido ao síndrome de Tourette?
Os açorianos nunca foram compensados enquanto eleitores, ao dar a maioria às candidaturas do Sr. Silva. Mesmo estando à frente do seu nariz a obsessão do senhor em “malhar no ceguinho” com algumas das suas infelizes intervenções.
Quem não está recordado da dramática comunicação feita aos portugueses por causa da última revisão do Estatuto de Autonomia dos Açores que quase o levava a declaração de Estado de Sítio instaurado como uma medida provisória de proteção do Estado só faltando que, como Comandante Supremo das Forças Armadas, ordenasse às forças armadas ficarem de prevenção para uma possível operação em terras “arquipelágicas” – (vade retro satanás).

Mas não fosse o diabo tecê-las, vai daí, sua excelência promove uma viagem de soberania a bordo de um vaso de guerra, até às Ilhas Selvagens proclamando que ali, também é Portugal e na falta de uma pomba branca, lança ao ar uma Gaivota.


Entretanto e a dois passos da sua saída como Presidente da República continua Cavaco Silva a desvalorização da chamada “autonomia” pela qual os açorianos se governam. Mas, que não satisfeitos procuram evoluir através de uma iniciativa chamada “Revisão Autonómica”, vem sua excelência num gesto moribundo, e titubeante defender a manutenção de um cargo que é uma excrescência constitucional (o Representante da República) e até quem sabe com o reforço de poderes, afirmando publicamente não ter a "mínima dúvida" de que a extinção do cargo "seria extremamente gravosa para as regiões, para o Governo da República e para o Estado unitário que é Portugal". Será?
É teimoso o homem…

“Bom senso é a capacidade de ver as coisas
                                                                         como são e fazê-las como devem ser feitas.”

                                                                                                           (Josh Billings)
(*) Só depois daquela comissão,
     o mesmo seguiu a carreira como oficial



Ribeira Seca RGR
2016-03-02


José Ventura